Breve Histórico
O crescimento econômico do distrito ligado à produção cafeeira permitiu muitas transformações na infraestrutura urbana do Distrito de Jaguary (final do século XIX), como a distribuição da água, construção do cemitério, calçamento de ruas, inauguração da primeira linha telefônica e da subdelegacia e o fornecimento de energia elétrica. Neste contexto, no ano de 1896, data da elevação da vila à distrito de paz, teve início a construção do casarão de propriedade de Lucillo Poltronieri e irmãos. A família de imigrantes italianos construiu o prédio para ser residência no andar superior e comércio de secos e molhados no piso térreo. Mais tarde, a parte comercial da edificação passou a ser uma oficina de carpintaria onde se fabricavam charretes e troles. As salas térreas também foram alugadas para o comércio dos primeiros imigrantes sírio-libaneses. Ao longo do tempo, a aquisição de capital permitiu que a mesma família investisse ainda, numa fábrica de cerveja e numa escola particular. A vida social e cultural do distrito também estava relacionada ao casarão dos Poltronieri, pois o espaço sediava solenidades e bailes de encerramento do ano letivo. Os filhos do Sr. Poltronieri ainda possuíam um cinema que projetava filmes mudos acompanhados por uma pequena orquestra. No final do século XX, os herdeiros do primeiro proprietário venderam o prédio que, atualmente, está reformado e adaptado para utilização como agência bancária. Foi Biblioteca Municipal até 2021.
Casarão Poltronieri
O imigrante italiano Lucillo e seus irmãos, Luís e Leandro Poltroniéri, construíram o sobrado em 1896, na confluência da Rua Cel. Amâncio Bueno com Rua Alfredo Engler onde hoje se situa o Banco Santander. O piso superior destinou-se à residência da família e a parte térrea ao comércio de tecidos, armarinhos e ferragens. O próspero comerciante não tardou a preocupar-se com a formação das crianças e montou uma Escola Particular que era regida pelo Prof. Alexandre Boaventura de Carvalho que tinha a alcunha de “Mestrinho”. O jornal “A Comarca” (24/12/1902) registra a solenidade de encerramento do ano letivo da Escola” celebrado no vasto e elegante edifício. O Sr. Luiz Barreto pronunciou bela oração alusiva ao ato, saudou o dedicado professor e os pais dos alunos. “Mestrinho” dirigiu palavras de agradecimento a Justino Alvarenga, diretor da Escola Municipal. O Sr. Ulisses Masotti, tabelião, saudou e agradeceu o Sr. Lucillo. Este agradeceu e cumprimentou os presentes. O Sr. Januário Eliseu de Navarro, dono de Comércio na Estação, brindou ao Prof. Alexandre e ao belo sexo presente. E ali houve animado baile que terminou às 3 h da madrugada. O correspondente do jornal felicitou o iniciador da escola que não houvera poupado esforços para o progresso da mesma. Nesta época chegam imigrantes sírios que alugam sala no prédio para comércio. O “Barbeirinho” muda seu salão da Estação para um dos cômodos deste prédio comercial. Lucillo Poltroniéri e Irmãos montam no local oficina de carpintaria e passam a fabricar lindos e bem acabados troles.Havia boa freguesia para esse ramo da indústria. Lucillo com os irmãos, em seguida montam uma fábrica de cerveja e colocam-na para alugar em 03/02/1908. E no piso térreo do solar sempre houve comércio dos filhos atravessando décadas, enquanto a família tecia a sua história no andar superior. Na década de 1920 inicia a jornada do conhecido Bar do Ponto. Nele parava a jardineira do Salim, transporte coletivo, tinha um horário diário para Campinas e para a Vila de Posse de Ressaca. Era o centro agitado da vila.Descendo a calçada da esquina havia um casario da família onde se construiu amplo salão para o 1º Cine Theatro, nos anos 30.Era o tempo do cinema mudo. Os filhos do Sr. Lucillo eram músicos e com seus instrumentos formaram com os amigos grupo musical que sonorizava os filmes, bem com animava bailes. Entre as famílias do Distrito de Jaguary não faltavam bons músicos: Jazz Band, Jazz Maringá.Na calçada da Rua Alfredo Engler o casario prosseguia e a extremidade dele ficou com os herdeiros de Luiz Poltroniéri. Na sala da frente há um afresco em seu estuque, uma pintura da época de sua construção. São dois anjos pintados segurando uma bandeira onde se lê a frase: “Viva Jaguary”. Hoje o afresco ficou escondido atrás de um forro colocado alguns metros abaixo. O comércio da família continuou até as décadas de 40 e 50.O Bar do Ponto com produtos nacionais e estrangeiros atraía clientela requintada e exigente.Comerciantes da vila, não raro, cruzavam madrugadas degustando cervejas. Ainda infante, lembro-me de automóvel importado com choffeur que abria a porta e dele descia o Sr. Celso de Moraes que vinha apreciar “Whisk” importado e de um fino casal inglês que estacionava sua charrete e vinha saborear alguns petiscos e tomar Gin com soda.O Bar pioneiro dos lanches modernos permaneceu com outros proprietários. O salão do Cine Theatro recepcionou festas de casamento e nos anos 50 foi alugado ao Sr. Raynero Urray (Nenê Fubazeiro, ou Nenê Moinheiro), o popular massagista esportivo e marceneiro que ali permaneceu até os anos 70, aproximadamente. No final do século XX, os herdeiros venderam o casarão de esquina para o Dr. Antônio Moraes Pinto, proprietário da Faz. Serrinha, e foi sede do Banco Banespa, hoje transformado em Banco Santander. A família do Sr. Lucillo Poltroniéri era assim constituída: esposa, Sra.Angelina Gobbi, filhos: 1ª- Delphina casada com Alberto Pavoni, 2ª- Sílvia casada com Antônio Milani,3º-Silvino casado com Araci Anna Abacherli, 4º- Narciso casado com Antonieta Frachetta, 5º- Hermínio casado com Irene Almeida Curi, e 6º- Plínio Poltronieri, solteiro. Dr. Massarani do IPHAN adverte-nos que “Alguém que perde a memória de seu passado, perde também a sua identidade” Jaguariúna e nós não podemos perder a nossa memória, nossa história, nossa identidade! “O VASTO E ELEGANTE EDIFÍCIO” tem a idade oficial do Distrito de Paz de Jaguary: 114 anos. Folgamos que ainda esteja Restaurado e Conservado. Parabéns aos proprietários! Tomaz de Aquino Pires