Uso original: Residência da Família de Gabriel Sayad no andar superior, no pavimento térreo grande e variado e rico comércio
Uso atual: Estabelecimento comercial
Proprietário: Antônio de Moraes Pinto Júnior
Endereço: Esquina das ruas Alfredo Engler e Coronel Amâncio Bueno

Breve Histórico

Foi construído em 1913, pelo casal de imigrantes sírios, Gabriel e Sophia Sayad. Assim como o casarão Poltronieri, o andar superior estava destinado à residência da família e o térreo ao comércio. Nesta morada cresceram os quatro filhos: Maria da Conceição, Adele, José e Olga Sayad. Enquanto o patriarca viveu, ele manteve próspero comércio com vários funcionários. Filhos estudaram em escolas particulares. Participantes da vida comunitária. Os herdeiros não cresceram na luta paterna. José Sayad participou do movimento de emancipação política do Município. Não se formaram. Viveram de economias acumuladas. Empobrecidos, venderam-no no último quartel do século XX.

O Sobrado centenário da Família Sayad: Casa Syria de 1913

É um prédio assobradado de esquina construído no centro da Vila por Gabriel Sayad, imigrante sírio (Jornal “A Comarca” 24/10/12). O pavimento térreo foi construído para comércio. O piso superior era a residência da família, que é circundada por extensa varanda, com vista privilegiada para o centro e para as fazendas de Café. Tal arquitetura faz parte essencial de Jaguariúna e foi testemunha de toda a sua história, participando de todos os momentos da Vila e da cidade e do povo humilde e laborioso que teceu a vida em seu entorno. Sr. Gabriel Sayad foi próspero e estimado comerciante. O seu comércio na Rua Cel. Amâncio Bueno era de Secos e Molhados e virado para a Rua Alfredo Engler ficava a grande loja de presentes, perfumaria, tecido, roupas, chapéus e armarinhos. Possuía vários funcionários (Id. 18/08/13). A Família participava dos movimentos cívicos, sociais e religiosos de Jaguary. (Id.06/08/11; 07/04/12) . O Pai, na década de 1920 fez parte da diretoria da Associação dos Escoteiros Jaguaryenses. (Id.02/07/22). Na Revolução Constitucionalista de 32, o seu comércio não foi saqueado, porque permaneceu aberto, os soldados respeitaram-no. Tal fato é registrado na obra de memórias: “Reminiscências de Pedro Abrucês” /2011. Nas década de 30, o filho José Sayad, estudante de engenharia, montava famoso presépio mecânico. As crianças ansiavam por ver um presépio em movimento. No horário aberto à visita tocava-se um sino. Ao ouvirem-no, as crianças dirigiam-se para a visitação, assim nos conta D. Regina Chiavegato. Embora tenham estudado em colégios particulares, suas irmãs acompanhavam os piqueniques que a juventude realizava. As finanças da família e seu comércio prosperaram enquanto o Sr. Gabriel, vocacionado ao mesmo, esteve presente. Após sua morte e da esposa, D. Sophia, seus negócios declinaram. José e Olga conseguiram trabalho em São Paulo. José era apaixonado pelo turfismo. Participou do movimento pela emancipação político-administrativa de Jaguariúna. Meire e Adele eram protetoras dos animais. Elas ficavam muito iradas contra a passagem da carrocinha, capturando os cães vagabundos. E tais apreensões punham as defensoras vociferando contra as autoridades do alto da varanda do prédio. No alto do sobrado elas mantinham seus cães ladrando e bem cuidados. Apreciavam ouvir músicas clássicas, dos discos de vinil, na rádio-vitrola “alta-fidelidade”. O piso comercial voltou a um movimento progressista a partir do final dos anos 50, quando foi alugado para a Casa de Móveis Santa Catarina. Uma vez ou outra a filha Maria da Conceição, saia a caminhar pelos quarteirões centrais. Era conhecida como Meire Sayad. Combinava vestidos de seda antigos com sapatos e sombrinhas. Às vezes usava chapéu. Usava algumas frases em Inglês e dizia que seu nome devidamente pronunciado seria Méri (Mary). Caminhava tranqüila e elegantemente colocando um pé adiante do outro, cruzando-os, como manequim. Embora vivesse em tempos financeiros adversos, ela espelhava a pompa de um passado de prosperidade. Morreram solteirões e pobres. Permaneceu, todavia, a construção histórica testemunhando a história local. Que se eternize em nossa paisagem tal Patrimônio Histórico, símbolo da nossa identidade. Tomaz de Aquino Pires.