Descrição:
Época de construção: 1937
Uso original: Residência da Família e Sede do 2º Cartório Local
Uso atual: Comercio
Proprietário: Otávio Morandi Filho
Endereço: Rua Alfredo Engler, 197 – Centro

Breve Histórico

Família participante da vida social da pequena comunidade em suas atividades filantrópico-religiosas, esportivas, políticas. O tabelião atuava até como um juiz- conselheiro nas pequenas causas entre proprietários e trabalhadores rurais. No ano de 1937, ele construiu o sobrado residencial com salão à frente, ao nível da rua, onde instalou a 2ª sede do Cartório local na Rua Alfredo Engler, nº197. Sua esposa era D. Bruna Masotti, filha do 1º tabelião, Ulisses Masotti, irmã do 2º tabelião, Hermínio Masotti. Era zeladora da Liga de São José. A pedido do Padre Gomes, organizava o Natal dos Pobres em meados dos anos 50 e início dos anos 60. Assim como preparava a leitoa assada e concorrida rifa da Festa de S. Sebastião. Muitos pobres desamparados e senhoras negras humilhadas recebiam, com generosidade, de suas mãos: acolhida, conforto e alívio. Seu nome merecia ser contemplado em algum logradouro público relacionado com a assistência social. De 1930 até o fim dos anos 60 a população, em toda circunstância oficial de Registro, dirigia-se a este Cartório. Paisagem cultural reveladora da identidade local.

O prédio do Cartório na rua Alfredo Engler, 197

Uma família participante da vida social do Velho Jaguary, em suas atividades filantrópico-religiosas, esportivas e políticas habitou este imóvel. No ano de 1937, o tabelião Alonso de Almeida construiu este sobrado residencial com um salão à frente, ao nível da rua, onde instalou o Cartório local. Sua esposa era D. Bruna Masotti, filha do 1º tabelião, Ulisses Masotti. Piedosa, senhora zeladora de São José desta Paróquia. Era a organizadora do Natal dos Pobres da Igreja, voluntária do Restaurante da tradicional Festa de S. Sebastião. Muitos desamparados e negras humilhadas recebiam, de suas caridosas mãos a acolhida e o banho, o conforto, alimento e alívio. De 1930 até o fim dos anos 60 a população, em toda circunstância oficial de Registro, dirigia-se, em trajes de gala, com fotógrafos, a este Cartório para casamentos civis, para registros de nascimento e de óbito e escrituras… Nas tardes de sábado, algumas noivas e noivos com seu séquito subiam, a pé, para a Igreja. A rua não era asfaltada e nas sarjetas, à sombra das sibipirunas, paravam charretes, carroças e cabriolés, além de cavalos e cavaleiros, caminhões, carros importados. Nos anos 1960 paravam os primeiros carros populares da Wolkswagen. Em se tratando de memória arquitetônica supõe-se pela data que sua fundação já seria de tijolos de barro, não descartando a possibilidade do uso de amarração de pedras. Segundo uma das arquitetas do CONPHAAJ, Eloísa Wadt, a estrutura confere ser de tijolos manuais de barro com amarração. A área comercial do antigo Cartório tem ladrilho hidráulico original no revestimento do piso, assim como o alpendre de entrada. As esquadrias de madeira existentes no imóvel são nobres de lei, quando havia padrão de madeira tipo pinho de Riga, ipê e outras. As janelas dos dormitórios da fachada, no piso superior, possuem modismos e soluções originais da época em seu estilo. Houve alguma reposição no imóvel, plausível até o momento por seu uso contínuo, sem a preocupação de manter a sua originalidade. Quanto a alguns ornamentos com detalhes aparentes estão em bom estado de conservação, como faixas e acabamentos de molduras. Segundo Eloísa, na fachada percebe-se um oitão decorado conhecido como Frontão Caprichoso com Apliques em cimento. A inclinação do telhado é de 35 a 40%. O madeiramento interno pode ser o original em partes, pois houve uma alteração do telhado onde o original seria a telha francesa, substituída em alguma reforma ainda no período dos últimos dez anos pela telha plan.Nos beirais houve intervenção, pela idade do imóvel e por suas características, não é difícil concluir que o original fosse de estuque.No guarda corpo da varanda superior notam-se faixas como de cimento trançadas que pelo exato contorno pode se considerar um aplique. Este sobrado é uma paisagem cultural reveladora da identidade de Jaguariúna preservado pelo Conselho do Patrimônio Histórico no Grau de Proteção 3. (GP3). Isto significa que, mantendo a fachada da frente frente originalmente restaurada, incluindo os cinco metros de fundo do sobrado, o CONPHAAJ libera toda a área interna para novo edifício, segundo a legislação vigente. A preservação de sua fachada destacará seu valor histórico, artístico e arquitetônico e agregará valor financeiro para o imóvel, assim como o “Casarão do Café” da Andrade Neves que valorizou o edifício de dez andares erguidos atrás daquele importante patrimônio. Isto vai ocorrer, no futuro, com vários imóveis cujo significado histórico e artístico esteja restrito às suas paredes frontais externas. Preservar o patrimônio histórico é investir em seu potencial turístico e econômico e salvar a Arte, as memórias, a história, a identidade do povo e da cidade. Tomaz de Aquino Pires