Breve Histórico
A fazenda teve origem na divisão da sesmaria do Coronel Luiz Antônio Souza e Bernardo Guedes Barreto. Em meados do século XIX, José Guedes de Souza, o Barão de Pirapitingui assume a liderança da fazenda que recebera de herança paterna; neste período alterna residência entre a casa na cidade de Mogi-Mirim e a sede na área rural.
As terras da fazenda, localizadas à margem dos rios Camanducaia e Pirapitingui fazem divisa com a propriedade do Coronel Amâncio Bueno, a Fazenda Ribeirão (atual Holambra) e Presidente Tibiriçá, na região do atual município de Santo Antônio da Posse. Com o falecimento do proprietário, o filho José Alves Guedes herda as terras e assume a fazenda com 1500 alqueires, sendo 150 utilizados para a cultura do café. Antes, o braço negro produzira açúcar.
No final do sistema escravista, a fazenda recebeu grande número de imigrantes italianos para trabalhar na plantação do café, a maioria delas composta de italianos originários de Treviso. Tal Patrimônio Histórico apareceu registrado no jornal italiano “O Fanfula” documentando a presença maciça da imigração na virada do século XX, lavradores de café, noticiando a boa acolhida aos italianos pela Família Guedes.
Durante a década de 1920 a movimentação na fazenda era intensa. Festas religiosas, pescaria, atividades esportivas nos finais de semana e visitas constantes de amigos do casal, muitos deles envolvidos com o movimento da Semana de Arte Moderna de 1922 do Teatro Municipal de São Paulo, dentre eles o folclorista e escritor Mário de Andrade.
Com a morte de José Alves Guedes, pouco antes da crise do café, a viúva, Siomara Penteado Guedes, vende em 1932, a área de 400 alqueires que constituía a fazenda. O comprador é Joaquim Machado de Souza, fazendeiro de Ribeirão Preto. A negociação teve início em julho de 1932, no entanto, devido à Revolução Constitucionalista, foi prorrogada. Tropas mineiras grafitaram as paredes de um quarto: “Minas há de abater o orgulho de São Paulo”.
O novo proprietário fixa residência na fazenda e mantém a produção de café, também introduzindo algumas novas culturas. Na década de 1950 a produção continua intensa e a fazenda conta com trinta famílias residentes. Nas últimas décadas, pequenos lotes foram desmembrados da área total e, em 2008, a sede e uma área envoltória de 16 alqueires foram adquiridas pela Prefeitura Municipal de Jaguariúna. A área remanescente permanece como propriedade da família e, atualmente, produz cana de açúcar para usina Usina Virgulino de Oliveira, no Município de Itapira – SP. O restauro tem sido uma epopéia, porém o amor à causa histórica, haverá de vencer os percalços e devolverá ao Patrimônio público de Jaguariúna e aos cidadãos o mais lídimo direito de cidadania: o direito à sua História, ainda que continue custando sangue, suor e lágrimas.
Da Sesmaria do Coronel Luiz Antônio de Souza e Bernardo Guedes Barreto: Fazenda da Barra
A fazenda teve origem na divisão da sesmaria do Coronel Luiz Antônio Souza e
Bernardo Guedes Barreto. Em meados do século XIX, José Guedes de Souza, o Barão de Pirapitingui assume a liderança da fazenda que recebera de herança paterna. Neste período alterna residência entre a casa na cidade de Mogi-Mirim e a sede na área rural. As terras da fazenda, localizadas à margem dos rios Camanducaia e Pirapitingui fazem divisa com a propriedade do Coronel Amâncio Bueno, com a Fazenda Ribeirão (atual Holambra) e Presidente Tibiriçá, na região do atual município de Santo Antônio da Posse. Com o falecimento do proprietário, o 2º filho José Alves Guedes herda as terras e assume a fazenda com 1500 alqueires, sendo 150 utilizados para a cultura do café. Antes, o braço negro produzira açúcar, agora café. No final do sistema escravista, a fazenda recebeu grande número de imigrantes italianos para trabalhar na plantação do café, a maioria delas composta de italianos originários de Treviso. Tal Patrimônio Histórico apareceu registrado no jornal italiano “O Fanfula”. Ele documenta a presença maciça da imigração na virada do século XX, como lavradores de café e noticia a boa acolhida aos italianos pela digna Família Guedes, assim como a tradição oral comenta sua bondade para com os negros. Durante a década de 1920 a movimentação na fazenda era intensa. Festas religiosas na Capela de Santa Isabel, missas, procissões, foguetório, Banda e leilões registrados pelo jornal A Comarca”. Aconteciam pescarias, atividades esportivas nos finais de semana e visitas constantes de amigos do casal. A esposa de José Alves Guedes, dona Siomara Penteado pertencia à rica e tradicional família paulistana. D. Olívia GUEDES Penteado do Amaral foi uma das patrocinadoras da “Semana de Arte Moderna”, em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Estes intelectuais envolvidos com tal movimento estético de importância ímpar para as nossas Artes visitavam a fazenda da Barra. Este movimento reuniu os grandes artistas como o folclorista e escritor Mário de Andrade, as pintoras Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, o escultor Brecheret e tantos outros. Há fotografias do Congregado Mariano, Mário de Andrade, em retiro, em nosso Patrimônio Histórico. O grande autor de “Macunaíma” e “Paulicéia Desvairada” que urrou a “Ode ao Burguês” no palco paulistano, marcando oficialmente o início do Modernismo no Brasil, vinha profetizar que tal sítio do ouro verde, naquela época, deveria ser um Centro Cultural. E assim acontecerá! Em 1929 houve a crise econômica mundial com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Ocorreu a grande oferta do café no mercado mundial e a falta de demanda pelo mesmo. No Brasil aconteceu a queima dos cafezais. Muitos fazendeiros ficaram pobres da noite para o dia. Venderam, a prazo, parte de suas terras, para seus colonos, a quem deviam, em pequenos sítios. Assim formou-se o Bairro Capotuna e outros. A morte de José Alves Guedes ocorreu pouco antes da crise do café, a viúva, Siomara Penteado Guedes, vende em 1932, a área de 400 alqueires que constituía a fazenda, na época. O comprador é Joaquim Machado de Souza, fazendeiro de Ribeirão Preto. A negociação teve início em julho de 1932, no entanto, devido à Revolução Constitucionalista, foi prorrogada. Tropas mineiras grafitaram as paredes de um quarto: “Minas há de abater o orgulho de São Paulo.” O novo proprietário, com sua família, fixa residência na fazenda e mantém, em parte, a produção de café. Também introduziu algumas novas culturas. Na década de 1950 a produção continua intensa e a fazenda conta com trinta famílias residentes. Nas últimas décadas, pequenos lotes foram desmembrados da área total e, em 2008, a sede e uma área envoltória de 16 alqueires foram adquiridas pela Prefeitura Municipal de Jaguariúna. A área remanescente permanece como propriedade da família e, atualmente, produz cana de açúcar para usina- Usina Virgulino de Oliveira, no Município de Itapira – SP. O restauro tem sido uma epopéia, porém o amor à causa histórica, haverá de vencer os percalços e devolverá ao Patrimônio Histórico e Público de Jaguariúna e aos cidadãos o mais lídimo direito de cidadania, o direito à sua História, ainda que continue custando sangue, suor e lágrimas.
Crédito: Casa da Memória Padre Gomes- Tomaz de Aquino Pires