Época de construção: 1946
Uso original: Estação Ferroviária
Uso atual: Programado para ser utilizado como Escola das Artes
Breve Histórico
A Estação de Guedes nova substituiu a antiga, construída em 1875, depois da retificação do traçado da ferrovia. Guedes nova foi uma das poucas estações da Cia Mogiana que permaneceu no leito da linha quando do novo traçado da variante de 1973. Os trilhos, vindo de Boa Vista, alcançaram esta estação, passando por fora de Campinas e Jaguariúna, através de Paulínia. Depois de sua desativação, o prédio permaneceu em mau estado, a plataforma e sua cobertura foram demolidas e o prédio sofreu intervenção de famílias que o ocuparam como moradia. No ano de 2011, a Administração Municipal, através do Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria de Turismo e Cultura, procedeu à esmerada restauração e revitalização desta Estação da Mogiana de Guedes, que foi inaugurada em 23 de março de 2012 e atualmente funciona como Centro Cultural. Verbas Federais foram conseguidas pela Diretora do Patrimônio Histórico, Dra. Rosana Tavares, arquiteta mineira, formada pela Faculdade de Roma.
Estação de Guedes
A primeira Estação Ferroviária da Companhia Mogiana de Guedes constituiu a linha tronco Campinas- Jaguary- Mogy-Mirim e foi inaugurada em 1875. Ficava dentro da Fazenda da Barra, propriedade do Capitão José Guedes de Souza, Barão de Pirapitingui, donde recolhia o Café, o ouro verde. Era transportado até Campinas. De Campinas seguia até Jundiaí pela Companhia Paulista e de lá pela Ferrovia Santos-Jundiaí chegava ao porto, era exportado para a Europa. O Imperador D. Pedro II, vindo de Campinas, parou na estação de Jaguary, segundoa tradição oral, serviu-se de café da manhã, ofertado pelo Barão de Ataliba Nogueira, prosseguindo, passou pela Estação de Guedes, sem parar. Parou na Estação de Mogi-Mirim para inaugurá-la e lá almoçou na casa do Capitão Guedes, em agosto de 1875. As primeiras estações de Jaguary e de Guedes permaneceram ativas até a alteração do traçado da linha ferroviária. Em 15 de dezembro de 1945 foram inauguradas as duas novas estações em locais diversos. Da primeira estação de Guedes, restou apenas a Casa do Chefe. Encontra-se bem conservada, em propriedade particular de Sr. Serginho Machado de Souza, Sítio São Sebastião. A plataforma coberta foi transformada em barracão para depósito de equipamentos agrícolas e casa de caseiro. Houve várias retificações do traçado desta linha tronco que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos trechos retificados. A variante Guanabara (Campinas)- Guedes foi entregue pela Mogiana entre 1926-1945. O primeiro trecho do tronco original foi alterado em1926, até Desembargador Furtado. Posteriormente chegou até Carlos Gomes (1929), e finalmente a Jaguariúna e Guedes (1945). Apenas a Estação de Guanabara permaneceu onde estava, porém reformada. Antes de 1945 o trem chegava a Guedes saindo da estação velha do Jaguary margeando o rio, ao lado da Rua Capitão Ulisses Masotti, passava pela “pedreira da Mogiana”, atrás da Fazenda Florianópolis (Serrinha), cortando a fazenda Santa Francisca do Camanducaia. Os trens transportavam cargas de café, passageiros, carga animal, outros produtos da agricultura, depois do comércio e das fábricas. As estações ferroviárias eram o centro das atenções e do movimento das cidades, das vilas, fazendas, dos povoado em geral. Havia poucas estradas, muitas não eram pavimentadas. A gare das estações era o local do “footing”, isto é, passeio da comunidade e, principalmente, da juventude. Lembro-me de alguns dos últimos chefes de estação, que impecavelmente trajados conduziam-na com amor à profissão: Sr. Plínio Munaretti, Sr. Manoel Rodrigues Seixas. Este, como memorialista imortalizou em suas deliciosas crônicas, a vida ferroviária, como também o agito social ao redor das estações ferroviárias, entre Circos, eventos na capela de N. Sra. Aparecida, apresentação de peças teatrais que escrevia e dirigia e a assistência social prestada com seu carro aos necessitados. Em 1977, a estação foi desativada pela FEPASA. Não se transportaram mais passageiros. Porém Guedes foi uma das poucas estações que com novo traçado permaneceu naquele leito ferroviário. A plataforma e sua cobertura, infelizmente, foram demolidas. O prédio ficou abandonado e ocupado por sem-tetos e a partir de então, sofreu a ação deletéria do tempo. No ano de 2011, a Prefeitura Municipal, o Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria de Turismo e Cultura, procedeu à restauração e revitalização desta estação que se tornou um Centro Cultural inaugurado em 23 de março de 2012. Este local já sediou exposição fotográfica itinerante da Casa da Memória Padre Gomes, assim como foi local de apresentações da Orquestra de Violeiros. Em 2017 /2018 abrigou a Biblioteca Municipal. É mais um exemplo de como um Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico deve e pode ser revitalizado, podendo atender a múltiplas necessidades modernas.” Não se varre a HISTÓRIA” de nossas ruas! (Dr. Massarani). Tomaz de Aquino Pires