Descrição:
Época de construção: Década de 1910
Uso original: Residência e comércio
Uso atual: Residência e comércio
Proprietário: Sandra Prado de Almeida Cavalcanti
Endereço: Rua Alfredo Engler, 275 – Centro
Breve Histórico
Com base em dados esparços da tradição oral, alguns acolhidos de antigos moradores da Vila de Jaguary, outros vistos em “A Comarca” de Mogi-Mirim, o Sr. Augusto José de Almeida administrava terras originadas da Sesmaria de Manoel Carlos de Souza Aranha. Terras que constituíam a Fazenda São José e que provavelmente formam, hoje, o município de Holambra. Ele era filho de Theobaldo José de Almeida e de Florinda Benedicta de Souza. Casou-se com Thereza Machado, filha de Flamínio Machado de Campos e de Anna Rosa de Souza, famílias brasileiras antigas, pioneiras no local. O casal teve dez filhos: Elvira, Zenaide, Magdalena, Délphica, Isaura, Matilde, Clarice, Décio (Nhonhô), Alberto e Alonso. Alberto era casado com Paulina Mestieri. Foi Sub-Prefeito 1928-1930, delegado, comerciante, instalou a 1ª bomba manual de gasolina na calçada de sua casa. Era pai da Profª. Nilde Almeida Rizzoni. Alonso, genro de Ulisses Masotti, 1º tabelião. Foi casado com Bruna Masotti. Tornou-se o 3º tabelião, depois de seu cunhado Hermínio Masotti (2º tabelião). Deixou o Cartório para o filho Aílton, 4º tabelião. Este deixou para sua filha Fernanda, 5ª tabeliã de Jaguariúna. O Patriarca Augusto José de Almeida morreu jovem. O casarão da foto foi construído por D. Therezinha Machado de Almeida, quando, viúva. Foi benemérita da Paróquia Santa Maria de Jaguary.
O Casarão de Thereza Machado de Almeida
“A Comarca de 02 de junho de 1912 noticiou: “- Novo Predio. Está quasi completa a construção na Rua Dr. Alfredo Engler, pertencente a exma sra. D. Thereza Machado de Almeida, destinado, especialmente para residência de sua exma. Família”. A piedosa viúva de Augusto José de Almeida, família bandeirante pioneira, tinha dez filhos. Ela construiu-o com a indenização do marido. Era administrador da grande Fazenda São José, da tradicional família Aranha. Era mãe do 3º tabelião da cidade, Alonso José de Almeida. Era católica de missa e comunhão diárias, benemérita à vila e à Paróquia de Santa Maria. Doou em 1918, época da gripe espanhola, para a Matriz a imagem de São Sebastião, dando início à tradicional festa na paróquia em 1919. Hoje, este imóvel sob nº 275 é morada e propriedade de sua bisneta Sandra Prado de Almeida Cavalcânti, esposa de Eduardo Cavalcânti. Fica em frente à Padaria do Gottardo. A família, respeitadora da História e da Arte, mantém sua construção frontal restaurada. Seus alicerces são construídos com amarração de pedras. Há um porão com 2,40 m de altura. Sofreu intervenção na fachada frontal, para criação de sala comercial com “mezzanino” com escada de acesso ao mesmo. A alvenaria é feita de tijolões de barro feitos a mão, em amarração com argamassa em barro, areia e cal. As paredes externas aparentam ter espessura de um tijolo e meio e dois tijolos, o pé direito é aproximadamente de 3,50m livre em todo imóvel. A parte superior destina-se à residência da família e conta com acesso pela lateral do terreno onde se situa a varanda de entrada. Os ambientes internos guardam a maior parte dos acabamentos da época, como o piso de madeira e esquadrias originais na maioria dos cômodos. Na fachada, no piso superior as esquadrias foram parcialmente mantidas; também as faixas decorativas permanecem, embora pouco alteradas. As características ornamentais estão próximas do original. Na fachada há faixas, molduras e alguns pequenos adornos. Os pontos fortes ornamentais estão preservados, de maneira geral, na sua platibanda. Esta esconde o telhado em três águas, na parte da frente. A platibanda é decorada com molduras e detalhes originais, segundo a descrição da arquiteta Eloísa Wadt do Conselho Municipal do Patrimônio. Sua arquitetura eclética, com traços do neoclássico, tem a contribuição de pedreiros da imigração italiana. A preservação desta construção reaviva as memórias do povo, revela a sua IDENTIDADE. Faz parte do Cadastro do Patrimônio Histórico elaborado pelo CONPHAAJ. Já se encontra inventariado, portanto, preservado no Grau de Proteção 3. Sua frente e fachada com varanda de entrada permanecem para sempre. Este grau de proteção (3) libera construções internas para novo edifício, desde que mantenham restauradas suas respectivas fachadas originais. Isto poderá ocorrer, no futuro, com vários imóveis cujo significado histórico e artístico esteja restrito à sua fachada frontal e lateral (GP3). Preservar o patrimônio histórico é preservar a Arte, as memórias, a história, a identidade do povo e da cidade. Investir na Cultura e Turismo, é investir em Economia. Preservar o Patrimônio é um ato de amor. (Dr. Emanuel Von Lawenstein Massarani). Tomaz de Aquino Pires