Descrição:
Época de construção: 1919
Uso original: Residência e armazém de secos e molhados
Uso atual: Comércio
Proprietário: Pedro Salomão Hossri Neto
Endereço: Rua José Alves Guedes – Esquina com Rua Cândido Bueno
Breve Histórico
Em 1917 chegaram os irmãos libaneses de Asra, a Família Hossri: Pedro, Felipe e Miled. Dias e noites de trabalho incansável com pesadas malas, mascateando por fazendas e vilas para, com suor de seus rostos, trabalharem a paisagem da Vila, construindo seus casarões. “A Comarca” registra, em 1919, “está sendo construído na Rua Cândido Bueno pelo conhecido construtor Augusto Braselli, um belo prédio, pertencente ao Sr. Pedro Salomão, negociante aqui estabelecido”. Casado com D. Chames Namen Zarur, desde então, o local de comércio abrigou próspero armazém de secos e molhados durante todo o século XX. Hoje, seu neto mantém moderno e bem montado comércio de produtos agropecuários nas construções próximas, zelando pelas linhas arquitetônicas reveladoras da história da vila, no prédio e negócio construído e sustentado pelo suor e dinamismo de seus Avós, suas Tias Professoras, Sada e Francisca, e por seu Pai Salomão. Diante de planejamento de futura construção, Pedrinho Neto declarou que manterá todas as fachadas originais de 1919, ao pé de futuro prédio, como o Casarão do Café, em Campinas. “Uma cidade sem memória é uma cidade sem passado e sem futuro”.
O Casarão e o comércio de Pedro Salomão Hossri
Assim que abriu o século XX, nesta vila, teve início imigração sírio-libanesa. Aqui chegaram Jorge Curi, Gabriel Sayad, em seguida os irmãos Pedro, Felipe e Miled Salomão Hossri. Mais tarde, Calil e Maria Abib Najjar. Outras famílias devem ter-se estabelecido aqui, temporariamente, porém as citadas permaneceram. A bondade dos povos árabes, trazendo a sabedoria oriental dos contos de Malba Tahan, a vontade de trabalhar, vencer, construir família, livres de lutas fratricidas, rebeliões civis, chegam a uma terra onde também pudessem exercer, na liberdade, na paz, o instinto comercial herdado dos antigos povos fenícios. Os irmãos libaneses chegaram ao Brasil por volta de 1917. Pedro, Miled e Felipe Salomão Hossri vieram de ASRA, Líbano. Presentes desde os alicerces do Distrito de Paz registraram sua história de luta nas construções que ergueram e que testemunham seu laborioso início de vida. Estes imigrantes iniciaram suas vidas no Brasil, caminhando e carregando pesadas malas, pelos campos, sítios e fazendas, mascateando. Suas malas continham tecidos e roupas feitas, toalhas, para o pessoal da lavoura. Trabalhavam vendendo seus produtos, no sol ou na chuva, no frio e no verão. Dormiam debaixo de árvores. Mascateando pelos bairros da região de Campinas, Bairro Carlos Gomes chegaram à Vila de Jaguary. Estes imigrantes não descansavam enquanto não lhes fosse possível estabelecerem-se. E, depois, continuavam na lida até à morte, multiplicando seus pertences e propriedades com planejamento e muita economia. E assim os três vieram construir seu comércio no Distrito de Paz de Jaguary. Eles contribuíram com os alicerces da cidade, desenvolvendo seu comércio. Pedro Salomão Hossri construiu o casarão comercial e residencial após muita luta na esquina da Cândido Bueno com José Alves Guedes. Sua vida e família e construção constituíram esta parcela da paisagem cultural de Jaguariúna. Símbolo da imigração libanesa aliada aos traços do estilo neoclássico com as linhas dos pedreiros da imigração italiana, esta construção de 1919, entregue nas mãos do construtor Augusto Braselli, segundo “A Comarca” é símbolo da arquitetura que representa a nossa história. São memórias que ainda, felizmente, não foram destruídas de nossa história erguida em 1919 por Pedro Salomão Hossri. Ali ele instalou sua residência e manteve seu próspero comércio ao lado da esposa síria Chames Namen Zarur. Neste local também nasceram seus filhos: as professoras Sada e Francisca e o filho comerciante, Salomão Hossri. O suntuoso casarão centenário teve suas paredes internas pintadas com motivos florais da época, em cor azul e prata. Os netos Pedro e Simone preservam o corpo principal do edifício honrando a sua ascendência sírio-libanesa. A frente do casarão porque foi alugado a comércio fora da família, infelizmente, foi prejudicada em sua fachada frontal menor, mas há nela a possibilidade de perfeito restauro. O CONPHAAJ selecionou este patrimônio cultural material para integrar o Cadastro do Patrimônio Histórico de Jaguariúna para fins de inventário de preservação e tombamento. Tomaz de Aquino Pires