Descrição:
Época de construção: Início do século XX
Uso original: Residência
Uso atual: Residência
Proprietário: Família do Dr. Lázaro Poltronieri
Endereço: Rua Cel. Amâncio Bueno, 152 – Centro

Breve histórico

Este imóvel faz parte do complexo de construções que compunham as propriedades da Família de Lucillo Poltroniéri. Casarão da 1ª década do século XX, pertenceu a seu filho Narciso Poltroniéri casado com D. Antonieta Frachetta. Ali criou os saudosos filhos: Sílvia (ia), Wanda, Ivone e Inho. Nos meados da década de 1960 passou para seu filho, Dr. LázaroPoltronieri, cirurgião dentista, conhecido como “Inho”, futebolista, inseriu-se na tradição de coração caridoso das Famílias Frachetta e Poltronieri, estimado por todos. Soube valorizar a história e a memória dos seus antepassados, isto é, a sua identidade cultural, e logo procurou o Sr. Pedro Abrucês, amigo do Patrimônio Histórico de Jaguariúna, que projetou uma reforma e conservação do prédio histórico. O exemplo do “Inho” permanece, pois a família zela, continuamente, pelo casarão, símbolo da formação da Vila de Jaguary, mantendo-o devidamente restaurado e, agora, pintado de amarelo e branco. Parabéns à Família pelo respeito para com a paisagem cultural da cidade, revelando que o PASSADO não é aquilo que passou, mas o que FICA DO QUE PASSOU (Dr. Alceu de Amoroso Lima).

O casarão de Sr. Narciso Poltronieri

Para escrever sobre ele há necessidade de rever todo o casario que vem da esquina da Alfredo Engler com Amâncio Bueno, o grande sobrado e construções anexas da Família Poltronieri. Parte delas, lamentavelmente, desapareceu. Foram construídas pelo imigrante italiano Lucillo e Irmãos, o grande sobrado em 1896, em seguida, supõe-se, que vieram as demais construções. Este casarão da Rua Coronel Amâncio Bueno, nº 152, mantém-se firme, elegante, no meio desta última quadra central da rua que termina no conhecido escadão. Foi restaurado pelo filho, o dentista Inho (Dr. Lázaro Poltronieri). Seus Pais, Narciso Poltronieri e Antonieta Frachetta Poltronieri ali criaram seus filhos: Sílvia (Ia), Wanda, Ivone e Inho (Lázaro). Valorosos filhos de coração bondoso caracterizado pela caridade cristã. O Sr. Narciso foi o filho caçula do patriarca italiano Lucillo Poltronieri e Angelina Gobbi. Estes patriarcas vieram com as levas de imigrantes cujo destino era a lavoura cafeeira. Na verdade Lucillo e irmãos em 1896 já tinham recursos financeiros suficientes para construir o imponente sobrado da esquina, uma elegante e sóbria construção, verdadeira fortaleza com pé direito de seis metros, tijolos de seis quilos batidos a mão e habilmente trançados em espessa parede. Madeira de Lei puxada por carro-de-boi, serrada a mão.Telhas vindas de Marselha (telha francesa). Este sobrado de singular arquitetura, ponto histórico de tantas realizações, nascido com a Vila Bueno, é um dos símbolos do corpo (povo) e da alma (história) da cidade, assim como todo o referido casario. A riqueza arquitetônica eclética de suas fachadas lembra linhas do neoclássico mescladas com trabalho dos pedreiros frentistas europeus. As paredes internas continham pinturas com anjos empunhando bandeiras com legendas: “Viva a Liberdade!” e “Viva Jaguary!” Este anseio de saudar a nova pátria e exaltar a liberdade mais sugere um brado de família a clamar por direitos políticos que não eram respeitados na terra de origem. A família deve ter trazido recursos financeiros suficientes para as demais construções, por isso não cremos que tenha enfrentado a roça de café. Esta casa com características similares às do sobrado em sua fachada ficou para o filho Narciso Poltronieri. Já em 1902 Lucillo Poltronieri montou uma Escola Particular noturna que, segundo a família, a casa em questão serviu como escola. Em seguida, os Poltronieri montam oficina de carpintaria e passam a fabricar lindos e bem acabados troles. Depois abrem uma fábrica de cerveja. E no piso térreo do solar sempre houve comércio dos quatro filhos atravessando décadas, enquanto a vida familiar tecia a sua história no andar superior, o casal com seis filhos. Na década de 1920, inicia a jornada do conhecido Bar do Ponto com produtos nacionais e estrangeiros que atraía clientela requintada e exigente. Ali era o centro agitado da vila. Descendo a calçada da esquina havia um casario da família onde se construiu amplo salão para o 1º Cine Theatro, nos anos 30. Era o tempo do cinema mudo. Os filhos do Sr. Lucillo eram músicos e com seus instrumentos formaram com os amigos grupo musical que sonorizava os filmes, bem como nimava bailes. “A Comarca” de Mogi-Mirim registra tais fatos, inclusive as funções de fiscal sanitário municipal de Jaguary. Aparecem seus registros no livro dos Sepultamentos Municipais. As construções remanescentes, pela beleza arquitetônica remetem às memórias, à história, a identidade de Jaguariúna e de seu povo na estruturação de seus alicerces e na criação desta nobilíssima paisagem cultural. A Casa da Memória Padre Gomes documentando-a com jornais e fotografias, justifica com o Conselho de Defesa do Patrimônio a necessidade de inventário de preservação e tombamento de todo este conjunto arquitetônico. Tomaz de Aquino Pires