Além de ser uma referência do patrimônio cultural e arquitetônico da Região Metropolitana de Campinas (RMC), a Fazenda da Barra tem uma importância histórica no Brasil. A propriedade, hoje sob controle da Prefeitura de Jaguariúna, serviu de esconderijo para tropas federalistas vindas de Minas Gerais, até o encerramento da Revolução Constitucionalista.

Conforme consta nos registros desse episódio histórico, motivo de orgulho para todos paulistas, que encararam o governo de Getúlio Vargas, a Fazenda da Barra foi ocupada por tropas federalistas vindas de Minas Gerais, que lá permaneceram até o encerramento das hostilidades.

Esse confronto armado marcou a vida do País com combates entre tropas do Estado de São Paulo e Minas Gerais.

Os paulistas defendiam a convocação de uma nova Constituição e a deposição do governo Getúlio Vargas, considerado ditatorial. O conflito teve, inclusive, combates aqui na região e as tropas de Minas Gerais, que lutavam pela continuidade do governo Getúlio Vargas, ocuparam a Fazenda da Barra e fizeram dela um ponto de concentração e apoio logístico.

Quem passeia pelos arredores pode perceber um espaço preservado, integrado à natureza e ao verde de uma região que atrai o turismo rural, o bairro de Guedes. Bem perto da fazenda, além de chácaras e casas de moradores que estão lá há gerações, passa o Rio Camanducaia, manancial que é afluente do Rio Jaguari e bastante procurado por pescadores das imediações.

Cultura do café

A Fazenda da Barra teve origem na divisão da sesmaria do coronel Luís Antonio Souza e Bernardo Guedes Barreto. Em meados do século XIX, José Guedes de Souza, o Barão de Pirapitingüi e também tenente-coronel da Guarda Nacional, assume a liderança da fazenda que recebera de herança paterna.

Com o falecimento do proprietário, o filho, José Alves Guedes, herdou as terras e assumiu a fazenda, com 1.500 alqueires, sendo 150 alqueires utilizados para a cultura do café. A produção era alternada com a cultura de milho, feijão, arroz e outros cereais, assim como legumes para consumo interno. O restante da fazenda compreendia pastagens e floresta.

No final do sistema escravista, a fazenda recebeu grande número de italianos para trabalhar na plantação do café.
Durante a década de 1920, a movimentação na fazenda era intensa. Também aconteciam festas religiosas, pescarias e atividades esportivas e a fazenda recebia visitas constantes de amigos do casal, muitos deles envolvidos com o movimento da Semana de Arte Moderna.

Com a morte de José Alves Guedes, a propriedade foi vendida para Joaquim Machado de Souza, em 1932. Na década de 1950, a produtividade continuava intensa. Já em 2008, a sede e uma área envoltória de 16 alqueires foram adquiridas pela Prefeitura de Jaguariúna.